quarta-feira, 11 de março de 2026

 Há batalhas que pertencem ao Senhor


Existem momentos na vida em que as circunstâncias parecem grandes demais para nós. Problemas, lutas e pressões surgem como verdadeiras guerras diante da alma.

Nessas horas, o coração humano se enche de medo, incerteza e cansaço.

Mas a Palavra de Deus nos lembra de uma verdade poderosa: nem toda guerra é nossa.

Há batalhas que pertencem ao Senhor.

Quando Josué recebeu a missão de conduzir o povo, Deus não prometeu ausência de desafios. Pelo contrário, haveria confrontos, obstáculos e terras a conquistar. No entanto, o Senhor deixou uma ordem clara e consoladora:

“Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, seu Deus, estará com você por onde você andar.”

 Josué 1:9

A coragem que Deus pede não nasce da nossa força, mas da certeza da Sua presença.

Quando entregamos nossas lutas nas mãos do Senhor, deixamos de carregar sozinhos aquilo que Ele prometeu sustentar.

Deus nunca perde batalhas.

Ele vê o que não vemos, conhece o que desconhecemos e age de maneiras que ultrapassam nossa compreensão.

Por isso, em vez de viver dominado pelo medo, o filho de Deus aprende a caminhar em confiança.

Se a luta chegou até você, lembre-se:

Deus também já está nela.

E quando o Senhor está na batalha, o resultado final nunca é derrota.

É cuidado, propósito e vitória no tempo dEle.


 Entregue sua guerra ao Senhor.

Ele luta por você.


 Você é diferente porque pertence a Deus


No meio de uma multidão onde todos caminham na mesma direção, Deus chama alguns para viver de forma diferente.

Foi assim com Timóteo.

Enquanto muitos seguiam os caminhos comuns do mundo, Paulo o lembrou de algo essencial: sua vida não deveria ser guiada pelo comportamento da maioria, mas pela verdade de Deus.

Por isso ele escreveu:

“Tu, porém…”

Essa pequena expressão carrega uma grande responsabilidade.

Ela significa: mesmo que todos façam, você não fará.

Quem reconhece Jesus como Senhor e Salvador recebe uma nova identidade. Já não vive apenas segundo os padrões deste mundo, mas segundo a vontade de Deus.

Nossa referência deixa de ser a multidão e passa a ser Cristo.

Em um tempo em que tantos relativizam valores, negociam princípios e caminham sem direção espiritual, o cristão é chamado a lembrar quem é e a quem pertence.

Deus nos criou únicos.

Não fomos chamados para imitar o mundo, mas para refletir Cristo.

Por isso, nem tudo o que é comum pode ser normal para quem foi transformado pelo Evangelho.

Há atitudes que muitos consideram naturais, mas que já não fazem parte da vida de quem decidiu obedecer à Palavra.

Ser de Cristo é aceitar viver, muitas vezes, na contramão da multidão.

Mas é exatamente nessa diferença que a luz do Evangelho se torna visível.

Que nunca esqueçamos:

nossa identidade não está no que o mundo diz, mas em quem Deus diz que somos.

E quando sabemos quem somos em Cristo, aprendemos a caminhar firmes, mesmo que o mundo inteiro escolha outro caminho.


 “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste…”

(2 Timóteo 3:14)


quinta-feira, 5 de março de 2026

 

O deserto: a escola de Deus

O deserto tem muitas faces: solidão, aridez, desconforto e esterilidade. Sempre que nos vemos cercados por essas realidades, é porque, de alguma forma, estamos atravessando um deserto.

E não precisa ser um Saara ou um Arizona. O deserto pode assumir outras formas: uma doença que parece inflexível, um problema familiar aparentemente insolúvel ou a dor profunda da perda de alguém amado.

Não importa se ele é literal ou simbólico, geográfico ou circunstancial, físico ou emocional. Os desertos sempre têm a mesma fisionomia: são secos, solitários e, muitas vezes, profundamente dolorosos. São capazes de produzir em nós uma das sensações mais difíceis de suportar: a solidão.


Mas por que passamos por desertos?

Por que, vez ou outra, somos conduzidos a essa experiência tão dura?

Ainda que muitas dessas situações sejam resultado de circunstâncias da vida ou até de nossas próprias escolhas, a Palavra de Deus nos revela que o deserto — o seu e o meu — é também uma escola divina.


Quando a paisagem da vida se torna árida e silenciosa, muitas vezes é porque Deus deseja nos ensinar lições que não florescem na topografia da alegria, da abundância ou da prosperidade.

Paradoxalmente, é no solo seco do deserto que certas verdades encontram terreno fértil para nascer em nossa alma.

E nessa escola difícil, mas necessária, aprendemos algumas lições preciosas.


1. No deserto aprendemos a ouvir a voz de Deus

Curiosamente, a palavra “deserto”, no hebraico midbar, vem da mesma raiz de dabhar, que significa “falar”.

Isso não é coincidência. O deserto é um lugar onde Deus fala — e onde finalmente nos dispomos a ouvir.

Ali, longe do ruído das multidões e das distrações da vida, Sua voz se torna mais clara. Muitas vezes passamos anos em meio às alegrias e conquistas sem prestar atenção ao que Deus deseja nos dizer. Mas o deserto corrige isso.

Ele se torna como um megafone divino, trazendo à tona aquilo que sempre resistimos em ouvir e revelando aquilo que sempre precisamos aprender.

No silêncio do deserto, a voz de Deus se torna maior do que a voz da dor e da solidão.


2. No deserto aprendemos a humildade

A Palavra também nos mostra que Deus conduziu Seu povo ao deserto para humilhá-lo — no sentido de torná-lo humilde.

O deserto não é apenas um lugar de escassez; é também um lugar de anonimato.

Ali deixamos os aplausos, os reconhecimentos e os holofotes. Como aconteceu com Moisés, que saiu do palácio para o deserto, somos retirados dos lugares de destaque e conduzidos à simplicidade.

No deserto aprendemos que não precisamos dos aplausos humanos, nem da aprovação constante das pessoas.


Precisamos apenas de Deus.

Essa é uma lição dura, mas profundamente transformadora. O deserto se torna como uma lixa divina, removendo a camada de orgulho que tantas vezes acumulamos nos tempos de prosperidade.


3. No deserto aprendemos o autoconhecimento

O deserto também revela quem realmente somos.

A Escritura nos diz que Deus permitiu aquela jornada para saber o que havia no coração do povo. Na verdade, o deserto não revela isso para Deus — Ele já sabe —, mas para nós mesmos.

Nada revela tanto o coração humano quanto as crises.


Foi no deserto que o povo de Israel revelou sua incredulidade, suas queixas e suas fragilidades. As máscaras caíram, e o verdadeiro caráter apareceu.


Assim também acontece conosco.

Quando atravessamos desertos, partes escondidas do nosso coração vêm à tona. E é exatamente ali, diante de Deus, que essas áreas precisam ser tratadas e transformadas.

Apesar de todas as faces assustadoras que os desertos possuem, eles cumprem um propósito pedagógico em nossa vida.

Deus nunca nos conduz ao deserto para nos destruir.

Ele nos conduz para nos refinar.

Para nos tornar melhores.

E então, como oração, podemos repetir as palavras do salmista:

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos.
Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.”
(Salmos 139:23-24)

Que Deus nos abençoe. 

Vera Lins Sant’Anna


 Casamento: o altar não é o final da história, é o começo

Em minha trajetória cristã, tenho participado de muitos encontros de casais e, nos últimos anos, algo tem me causado grande preocupação: o alto índice de divórcios também no meio eclesiástico.

O que está mudando no cotidiano da família cristã?

O que tem influenciado essa realidade?

Pesquisas apontam que os motivos mais frequentes para o divórcio são traição, ciúme, dinheiro e até a chamada “incompatibilidade de gênios”. No entanto, tenho observado algo ainda mais profundo: um certo despreparo entre os cônjuges para assumirem responsabilidades, lidarem com diferenças e desenvolverem tolerância no convívio diário.

Muitos se esquecem de que as diferenças não são necessariamente sinais de fracasso — podem ser, na verdade, oportunidades de amadurecimento e prova do sentimento.

Creio que olhar na mesma direção, tendo Cristo como alvo, é condição essencial para permanecerem unidos, apesar de todas as influências que atravessam a vida moderna.


Uma prática preciosa é orar um pelo outro, pedindo a cobertura do Pai sobre o cônjuge e sobre a família.

Em Provérbios encontramos uma orientação profunda:

“Beba das águas da sua cisterna, das águas que brotam do seu próprio poço.”

Essa palavra também fala ao casal.


A fidelidade é uma característica do próprio Deus, que nos ensina a sermos fiéis a Ele e também ao nosso cônjuge.

Tentações sempre existirão, mas fugir da aparência do mal é responsabilidade nossa.Quer um casamento onde o “até que a morte nos separe” seja uma realidade?

A Palavra nos orienta:

“Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai.”


É fácil?

Não. De forma alguma.

Mas quando o casal confia na promessa de Deus — de que Ele mesmo guarda, protege e sustenta — torna-se verdadeiramente mais que vencedor.

O amor é forte.

O amor tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Não há tempestade capaz de destruir um casamento que esteja alicerçado em Cristo.

Curtam a vida cotidiana juntos.

Beijem-se muito.

Cultivem um relacionamento amoroso que satisfaça a ambos.

Sejam criativos um com o outro.

Surpreendam-se com gestos de carinho que alimentam os laços afetivos.

Perdoem-se.

Não deixem a mágoa escondida no coração.

Dialoguem.

Riam juntos.


E, sobretudo, sejam amigos.

Não existe receita pronta.

Cada casamento precisa ser temperado pelos próprios cônjuges.

Às vezes serão necessários ingredientes mais fortes. Outras vezes, apenas um pouco mais de paciência e ternura. Mas vale a pena buscar o equilíbrio até encontrar o tempero certo.

E o melhor de tudo?

Vão em frente. Se permitam ser felizes.

Porque, afinal, o amor jamais acaba.

Abraços,

Vera Lins Sant’Anna

 Quando Deus chamou Abraão, Ele já conhecia a realidade dentro de sua casa. Sabia da dor de Sara, da espera, da esterilidade e, mesmo assim, o chamou.

Quando Deus chamou José, também sabia dos conflitos familiares, da inveja dos irmãos e de tudo o que ele enfrentaria e ainda assim o escolheu.
Da mesma forma, quando Deus nos chama, Ele já conhece cada dilema que vivemos, cada luta silenciosa do nosso lar, cada lágrima que ninguém vê. Ele não baseia o Seu chamado nas nossas capacidades ou possibilidades humanas; o que Ele procura é a nossa fidelidade.
Nosso Deus é especialista em transformar impossibilidades:
Ele chama a estéril de mãe de multidões,
faz do rejeitado um governador,
e escreve histórias de redenção onde só havia dor.
Por isso, olhe para o chamado de Deus na sua vida com os olhos da fé. É pela fé que enxergamos o que Ele ainda fará em nossa história.
Mantenha os olhos no Alvo — Jesus — que prometeu estar conosco todos os dias.
Que o Senhor fortaleça o seu coração e confirme o Seu propósito em você.


Vera Lins Sant’Anna



 Desde menina, as palavras sempre foram minhas companheiras. Eu as encontrava nos cantinhos silenciosos da alma, brincava com elas em redações escolares e, certa vez, ainda no antigo ginásio, ganhei até um prêmio por isso.

Mas o que mais me encantava era escrever para Deus.
Desde os dez anos, tenho cadernos recheados de orações. São páginas queridas onde converso com o Pai, registro pedidos, lágrimas, esperas… e também Suas respostas. A cada folha, uma confissão, uma celebração, uma autoavaliação da minha caminhada cristã.
Ainda criança, escrevi uma pequena história sobre a vida de uma formiga. Na minha imaginação infantil, aquele serzinho era um exemplo de esforço e companheirismo. E confesso: até hoje, vejo ternura nisso.
Depois de 25 anos como professora universitária, me aposentei. E decidi que era hora de escrever de outro jeito. Não mais artigos técnicos ou textos acadêmicos, mas histórias que brotassem do coração e que fossem cheias de propósito — histórias fundamentadas na Palavra, costuradas com valores eternos.
Achei que não seria capaz de escrever romances. Afinal… depois de tantos anos de casada? Nessa fase da vida? Mas o Espírito Santo, como sempre faz com doçura, me lembrou da minha própria história de amor. Um namoro guiado pela graça, pela bondade e soberania de Deus. Comecei tímida… um romance, depois outro… e hoje, são cinco livros prontos.
Nestes últimos oito anos de aposentadoria, os três primeiros foram de descanso e delícias simples: leitura, oração, meditação, tempo com Deus. Foi nesse refúgio de alma que meus personagens nasceram.
Confesso que vender livros não é meu forte. Se eu estiver ali, no local, conversando, talvez até me saia bem. Mas dar um preço a essas histórias que considero joias da minha caminhada? Ah… isso me custa. Para mim, elas valem vidas.
Cada enredo é tecido com fé. Cada diálogo, pensado com zelo e amor. Como desejo que adolescentes e jovens possam lê-los… são histórias singelas, mas cheias de verdade, experiências profundas e aprendizados que florescem da dor e da esperança.
Meu maior desejo?
Que esses livros toquem corações.
E que inspirem muitos a viver histórias de amor aliançadas em Deus.
Com carinho,
Vera Lins Sant’Anna

terça-feira, 3 de março de 2026

 

O amor de mãe… e o Amor que é eterno


O amor de mãe é, sem dúvida, um dos maiores que alguém pode experimentar na Terra.

É um amor que acorda de madrugada, que se sacrifica em silêncio, que se doa além das forças.

É o amor que protege na chuva, que caminha atrás, garantindo que os filhos estejam seguros debaixo do guarda-chuva.


A mãe dá o que tem.

E muitas vezes, dá o que não tem.

Ela tira de si para oferecer ao filho.

Entrega o tempo, o sono, os sonhos, a própria vida se for preciso.

É um amor visceral, profundo, terreno — mas imenso.


E ainda assim… existe um Amor maior.

O amor de Deus não apenas cuida — Ele redime.

Não apenas protege — Ele salva.

Não apenas acompanha — Ele comprou com preço de sangue.

Nós fomos comprados.

Fomos redimidos.

Fomos resgatados quando nada tínhamos para oferecer.

E é tão lindo perceber que, quando Deus quis ilustrar a força do Seu amor, Ele usou o amor de mãe como comparação.

Ele disse:

“Ainda que uma mãe se esqueça de seu filho, Eu, todavia, não me esquecerei de você.”IIsaías 49.15)

Ou seja…

Se o maior amor humano falhar — o dEle não falha.

Se pai e mãe abandonarem — Ele permanece.

Se todos se forem — Ele fica.

O amor de mãe é extraordinário.

Mas o amor de Deus é eterno.

O amor de mãe nasce no ventre.

O amor de Deus nasceu antes da fundação do mundo.


O amor de mãe é reflexo.

O amor de Deus é a Fonte.

E talvez seja por isso que o colo de mãe seja tão consolador…

porque ele carrega, ainda que imperfeitamente, um vislumbre do colo do próprio Deus.

O maior amor não é o que apenas protege da chuva.

É o que atravessou a cruz para nos dar vida.

Esse é o amor que não falha.

O amor incondicional.

O amor que permanece.

  Há batalhas que pertencem ao Senhor Existem momentos na vida em que as circunstâncias parecem grandes demais para nós. Problemas, lutas e ...